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Patrocínio influencia opção do consumidor - 19/05/2006 - 15:25:24
 
Vale a pena gastar US$ 40 milhões para ser patrocinador oficial de uma Copa do Mundo? A julgar pelos resultados de vendas de bolas de futebol da Adidas, a resposta parece ser sim. Das cinco mil bolas de futebol vendidas de janeiro a abril deste ano nas dez lojas da rede Roxos e Doentes - varejista especializada em material esportivo - algo entre 20% e 30% são da marca Adidas, a patrocinadora e fornecedora exclusiva do Mundial da Alemanha. "O apelo do patrocínio é muito grande e a marca ganha força", diz Eduardo Rosemberg sócio-diretor da empresa.

Segundo ele, sem Copa do Mundo, há equilíbrio de vendas entre as principais marcas do mercado - Adidas, Nike, Umbro, Penalty e Topper - com ligeira vantagem para essas duas últimas - "que têm preços um pouco menores, por serem nacionais".

Rosemberg não tem uma pesquisa científica que trace de forma precisa o perfil do comprador de bolas de futebol. "Mas a experiência mostra que garotos entre 12 e 14 anos são os principais compradores. Em seguida, vêm homens adultos que jogam futebol no fim de semana com os amigos e por fim, os colecionadores".

O gerente de marketing da Bayard, outra rede especializada em esportes, Gilson da Anunciação, diz que as vendas de bolas de futebol estão 30% maiores neste início de ano, em relação a igual período de 2005. "Mas no primeiro mês da Copa esse percentual chega fácil aos 50%", aposta.

Também na Bayard - que tem nove lojas em shoppings de São Paulo - as bolas com a marca da patrocinadora oficial da Copa são as campeãs de vendas. Não a original, que custa R$ 400, mas as réplicas, que valem entre R$ 50 e R$ 70. Segundo Anunciação, cerca de 2,2 mil bolas já foram vendidas desde o começo do ano, e a expectativa, diz ele, é que as vendas subam ainda mais em junho.

Anunciação diz que os candidatos a Ronaldinho Gaúcho são muito mais influenciáveis do que se imagina e na hora de comprar escolhem a bola oficial do campeonato em andamento. "Assim, as bolas da Topper vendem mais durante o Campeonato Paulista e as da Nike têm mais saída no início e fim do Campeonato Brasileiro."

A bola hoje é um artigo bonito, com cores fortes e chamativas e isso, segundo Anunciação, atrai a garotada. "Tem menino que compra bola de futebol e não usa, para não estragar", diz.

Na Esporte Fabiano, o perfil do público é outro. Lá, as vendas são para as empresas e, segundo Daniel Fernandes Filho, responsável pela área, as agências de publicidade formam o pelotão de frente entre os compradores. "O pessoal usa muito para fazer promoção", diz ele acrescentando que com a Copa, as vendas corporativas registraram aumento de 60% de janeiro até agora. "Só uma empresa de cartão de crédito comprou mil bolas, de uma só vez", conta.

Bola de futebol é o artigo que mais se vende em ano de Copa do Mundo. "Somando todas as linhas de futebol, o crescimento nas vendas em anos de Copa é de 180%. Mas na categoria bolas, o aumento supera os 400%", afirma Bruno Abilel, da Adidas. Mas, segundo ele, o recordista na América Latina não é o país pentacampeão. "Vendemos mais na Argentina e no México. O Brasil vem em terceiro lugar", diz. Os preços mais em conta dos fabricantes nacionais justificam o ranking desfavorável à marca alemã no país.


Fonte: Valor Econômico

 

 

 

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